Penha: “Puxada” do Mastro de São Sebastião acontece neste domingo em Armação do Itapocorói

09.01 – Acontece neste domingo, 13, em Armação do Itapocorói, a quase bicentenária “Puxada do Mastro de São Sebastião”. A devoção ao santo de devoção é uma herança católica, de origem luso/açoriana que vem sendo mantida em Penha ao longo dos anos, pelos fiéis, foliões e promesseiros. Vale lembrar, que ano passado a Câmara de Vereadores da cidade através da Lei 17/2018 reconheceu a manifestação como “Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial” do município.

Este ano o casal de promesseiros será Alex José Mafra e a sua avó Antônia Rosa Pereira, mais conhecida como a Tonha do Seu Juca. Neto e avó, moradores de Armação, são os responsáveis por servir broas de coco e a consertada e a organização do evento.

A concentração do cortejo acontece a partir das 16h, na Praça do Baiano. Primeiro, o mastro, um tronco de 10 a 12 metros será decorado com flores, adereços e folhagens, para em seguida acontecer a “Puxada” até o pátio da histórica Capela de São João Batista – considerada marco zero do município – onde será fixado e na sua ponta içada uma bandeira com a imagem do santo. O mastro ficará no local, como um aviso, que no dia 20 de janeiro é o dia de São Sebastião.

No domingo, na Praça do Baiano, senhoras devotas iniciam o ritual de enfeite do mastro oferecido ao santo. Enfeitado, inicia-se então a “Puxada”, num percurso pela Avenida São João, entre a Praça e a Capela. Cerca de 30 homens, chamados também de promesseiros, participam desse cortejo levando nos ombros o mastro. Durante o trajeto os foliões tiram versos de improvisos, com refrões entoados por todos.

No pátio da igreja, inicialmente o mastro fica estendido no chão, e uma nova rodada de cantorias e versos é tirada para em seguida, ser erguido e fixado, com aplausos dos devotos.

Consertada

Na verdade a tradição de celebração de São Sebastião começa duas semanas antes – com a produção da “Consertada”, algo parecido com o quentão, mas ela é servida fria. A bebida será doada a todos durante a decoração, a puxada e a fixação do mastro. A chegada à igreja está prevista para as 19h. A missa em celebração a São Sebastião será no dia 19, domingo, às 9h30.

Ritual de fertilidade

Segundo o historiador e membro do Núcleo de Estudos Açorianos (NEA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Joi Cletison, do NEA, a “puxada” do mastro foi trazida no século 18 à cidade de Penha, e é expressiva herança portuguesa. “O povo de Penha percebe a festa como uma cerimônia tradicional cristã, em que elementos naturais, como as flores e o símbolo fálico tornam-se religiosos e sagrados pela presença de São Sebastião. No entanto, a celebração tem um aspecto claramente pagão e pré-histórico, como um ritual de fertilidade: as mulheres retiram flores e folhas do tronco, riem e contam piadas. E afirmam que uma flor retirada do mastro garante um bom casamento”, comenta Joi Cletison.

Por: Vilmar Carneiro

Com informações do jornalista Felipe Bieng e Assessoria de Imprensa da PMP.

 

 

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