Penha: Pescador relata como avistou na Ilha Feia o jovem de Balneário Piçarras que estava desaparecido

18.04 – Chegou ao fim, de forma inusitada, o drama da família do jovem de Balneário Piçarras, Felipy Acácio Reis, 23 anos, desaparecido desde a madrugada de domingo. Nos primeiros minutos da madrugada de ontem, uma lancha atracou no ancoradouro público do rio Piçarras, no centro da cidade, trazendo o jovem com vida. Felipy estava há três dias na ilha Feia, na costa de Penha, para onde nadou depois de bater o carro da família. Ele foi encontrado graças a um pescador de Penha, que avistou Felipy no costão da Ilha.

Na noite de terça-feira, José Acácio Reis, pai de Felipy, foi pessoalmente confirmar com o pescador a história de que teria visto um jovem nos costões da Ilha Feia. Ao ter a confirmação, montou um grupo de resgate com uma lancha e um jet sky, que naquela mesma noite saíram mar afora.

Ontem, viralizava pelas redes sociais a foto do piloto sendo abraçado pelo pai, no momento em que chegou ao atracadouro, em Piçarras. Felipy está vivo. A família, até então em desespero, ficou feliz. Pelas redes sociais, pai e filho agradeceram o apoio que receberam de parentes, amigos e internautas.

Kethillin Reis, irmã do piloto, confirmou que Felipy estava bem e tinha apenas algumas escoriações pelo corpo. Sobre a motivação do rapaz ter nadado até a ilha Feia, Kethillin respondeu disse que a família não tinha conversado com ele sobre o assunto. Elea disse apenas que ele estava muito quieto.

Para ela, tudo indica que o irmão ficou desnorteado depois do acidente de carro que sofreu antes de desaparecer. “Foi um ato de desespero. Ele disse que bateu com a cabeça e teve lapsos”, contou.

Ela desmentiu o boato de que Felipy se jogou no mar porque estava com medo do pai, que seria severo demais, porque pegou o carro da madrasta sem pedir e ainda ter sofrido o acidente. “Isso é mentira”, garantiu. E completou: “O carro é da madrasta, sim, mas ele tinha autorização para usá-lo”.

Deitado no Costão

Ontem, Ata foi entrevistado pela reportagem do Diarinho. Dentro de seu bote de pesca, atracado numa das margens do manguezal do rio Iriri, em Penha, Adelson Marilson Dias, 48 anos, aponta para o céu. Ele faz questão de dizer que o mérito de poder ter ajudado a encontrar o piloto Felipy Reis é de Deus, e não dele. Também cita os amigos, por terem localizado a família do rapaz.

No domingo, cedinho, Ata, saiu ao mar, como faz quase diariamente. Navegou para o norte, em direção a Barra Velha. Na volta é que viu algo estranho no costão da ilha Feia e resolveu se aproximar. Logo percebeu que era uma pessoa. Era entre 9h30 e 10h da manhã. “Ele estava deitado, e o vento era um terral (vento oeste) forte e estava frio. Parecia que estava dormindo, mas também achei que estava descansando, pegando um sol”, disse o pescador.

Mas Ata estranhou uma coisa. “Não vi mais ninguém por lá, não vi nenhum caiaque, nem standup”, observou. Por isso, se aproximou mais e tentou fazer contato com o rapaz deitado. “Acelerei o motor. No meu coração veio para eu chamar a atenção dele. Foi uma intuição”, completou. Felipy estava deitado sem camisa, com algo que parecia shorts ou uma cueca. Uma perna esticada e outra dobrada para alto.

Como o rapaz não se manifestou, o pescador voltou para a terra. Mas não descansou. Passou a divulgar o que viu e perguntar se alguém sabia de alguma coisa. O amigo e também pescador Fabrílio Miranda, 34, que sabia do desaparecimento do jovem, lhe mostrou uma foto de Felipy nas redes sociais. Ata achou se tratar da mesma pessoa.

Através das redes sociais, encontraram alguém que conhecia a família e fizeram contato. “Na terça à noite, lá pelas nove horas, o pai e um tio vieram falar comigo e eu confirmei”, lembra o pescador. Ainda segundo Ata, na ilha Feia tem um barraco de madeira e há água. Acredita que foi por lá que ele se abrigou.

 Nadou 1300 metros

Na noite de sábado, Felipy foi a um casamento em Itajaí. Levou o carro da madrasta, um Up branco. No retorno, passou no kartódromo do Beto Carrero e ainda curtiu o finalzinho de uma festa, com amigos. Era por volta das 3h30 da madrugada quando bateu o carro na avenida Nereu Ramos, no centro de Piçarras. A partir daí começou todo o mistério e o drama da família, já que o jovem desapareceu.

Imagens de uma câmera de segurança mostraram Felipy correndo em direção à praia. Testemunhas afirmaram terem visto um rapaz entrar no mar, naquela madrugada, próximo ao molhe do posto 4 dos guarda-vidas.

No domingo, um homem que remava um standup encontrou os documentos do piloto no mar e na terça-feira as esquipes de buscas localizaram a calça do jovem, também no mar. Bombeiros, PM e voluntários começaram buscas pelo mar, ar e terra. A polícia Civil também começou a investigar o misterioso desaparecimento do jovem.

Mesmo sem confirmação oficial, tudo indicava que ele havia entrado na água. E foi o que ele fez. O rapaz nadou cerca de 1,3 mil metros (na conta dos bombeiros) até chegar na ilha Feia, em Penha.

Foto e fonte: Diarinho

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