Moradores e turistas de Penha e Navegantes sofrem com o desabastecimento de água

08.01 – Nas últimas semanas os moradores e turistas de Penha e Navegantes estão enfrentando a falta de fornecimento de água.  Desde 1990, o município de Penha, não enfrentava um transtorno tão grave. A situação se repete em Navegantes, na mesma região. Lá, a água que chega não está sendo suficiente para atender a população.

Nas duas praias mais movimentadas de Navegantes, Gravatá e Meia Praia, o abastecimento de água é um problema há mais de uma semana. Os moradores dizem que não receberam nada nesse período. Vale lembrar, que Navegantes não tem um sistema próprio de coleta e tratamento de água. Compra do Semasa, autarquia da prefeitura de Itajaí.

No domingo (6), a prefeitura de Navegantes emitiu nota dizendo que o sistema de telemetria comprova que está recebendo uma quantidade abaixo do necessário. O ideal seriam 300 litros de água por segundo, mas justamente nos horários de pico, segundo a nota, tem sido recebidos menos de 160.

Já Navegantes precisava instalar novas bombas para colocar mais pressão na rede e também um novo reservatório. As duas cidades dizem que cumpriram o combinado. Mas ainda assim o problema continua.

Em Penha, três bairros estão há 11 dias sem água. Em alguns momentos, a cidade toda fica desabastecida. A prefeitura acusa a empresa Águas de Penha de não cumprir as melhorias combinadas e ameaça romper o contrato se a situação não for resolvida ainda nesta semana. A empresa diz que o problema é o Rio Piçarras, que está com o nível cinco vezes mais baixo que o normal.

Barragens no Rio Piçarras

A Fundação do Meio Ambiente de Balneário Piçarras (Fundema) fez na semana passada uma avaliação técnica para delimitar a bacia hidrográfica do Rio Piçarras no trecho acima do ponto de captação de água para Estação de Tratamento de Água (ETA) da concessionária de prestação de serviços na cidade, a Casan. O estudo verificou que existem barragens no Rio Piçarras.

O desvio do fluxo do rio acontece principalmente para a atividade da produção de arroz, apontou a Fundema. “Já trabalhamos com a abertura de barreiras desde o ano passado, quando realizamos uma ação em conjunto com a Casan e a Secretaria de Obras. Agora, a concessionária informou haver outros pontos, o que gerou a necessidade da avaliação técnica aprofundada”, explicou o presidente da Fundema, Marcos Zaleski.

Uma descoberta importante foi de que um ponto de grande relevância de barragem de água está em Barra Velha, no Rio do Peixe, que é o principal afluente do Rio Piçarras. O estudo verificou que mais de 54% da área superficial da bacia hidrográfica do Rio Piçarras, considerando como foz o ponto de captação de água bruta nas proximidades da ETA, está dentro do município de Barra Velha. “O dado permite observar a importância do trabalho integrado com Barra Velha”, ressaltou Marcos.

A Fundema também está elaborando um mapa com todos os pontos de barramento georreferenciado e irá enviar a Casan. “Com o mapa, a concessionária poderá antecipar novos problemas e utiliza-lo de base para o planejamento de ações futuras e gestão. Observamos que existem poucos e específicos pontos de barramento do rio e, já estamos verificando a questão do licenciamento ambiental de cada atividade”, informou Marcos.

A FUNDEMA realizou uma avaliação histórica dos últimos cinco anos da cobertura e uso do solo nas margens do Rio Piçarras acima do ponto de captação de água, verificando que não houve mudanças consideráveis na mata ciliar (vegetação nativa de margens de rios), sem indícios de desmatamento. A constatação garante a estabilidade do ambiente, não comprometendo a qualidade das águas no local.

Casan libera barragens ilegais

Um vídeo, postado pela Casan em sua rede social, mostra funcionários desobstruindo barreiras erguidas para irrigar lavouras de arroz na região de Balneário Piçarras. “Como o abastecimento humano é prioridade, o caso está sendo denunciado aos órgãos competentes.

Nesta sexta-feira da semana passada foram usadas retroescavadeiras para liberar barragens ilegais que reduzem a vazão do rio, deixam a água mais turva e dificultam o tratamento. O rio chegou a níveis tão baixos na madrugada que a Estação de Tratamento (ETA) foi desligada por três horas para não sujar a água. Mas foi religada às 6h, não chegando a afetar o abastecimento”, diz a nota.

Prefeitura de Penha notifica Águas de Penha

A prefeitura de Penha notificou e multou a concessionária Águas de Penha por conta do desabastecimento dos últimos dias em todos os bairros da cidade e pelo atraso na entrega de duas obras previstas no contrato de concessão: um reservatório de água com capacidade para 2 mil metros cúbicos e a Estação de Tratamento de Água (ETA). Ambas já deveriam estar prontas há um ano.

O contrato, assinado em 2015, durante a gestão anterior, previa a melhoria no sistema de abastecimento de água, bem como a ligação de um sistema de esgoto, formando assim o sistema de saneamento básico de Penha. Ocorre que a concessionária Águas de Penha vem, de maneira continuada, desrespeitando o contrato.

Em dezembro de 2017, a prefeitura, já sob novo comando, promoveu um audiência pública com a concessionária, visando a repactuação do contrato. A intenção era sugerir o adiantamento de obras e garantir o abastecimento na cidade. Na oportunidade, a repactuação foi aprovada pelos presentes na audiência. Contudo, a Águas de Penha ignorou a definição em assembleia e permaneceu prestando o mesmo serviço lento e de má qualidade, ocasionando uma crise no sistema hídrico de Penha.

Nesta quinta-feira, 3 de janeiro, o prefeito Aquiles recebeu quatro representantes da Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (Aris), que regula e fiscaliza as atividades do saneamento básico. Aquiles deixou claro que se a Águas de Penha não apresentar, em 10 dias, mudanças efetivas no trabalho na cidade, o contrato será rompido.

Protesto

Através de redes sociais Moradores de Penha estão se mobilizam para fazer um protesto na próximo domingo, dia 13, a partir das 15h, na sede da concessionária Águas de Penha, localizada na Avenida Eugênio Krause, no Centro da cidade. Os manifestantes prometem pedir soluções urgentes para a falta d’água.

Fonte: Com informações do G1/SC – Jornal do Comércio – Prefeitura de Penha, Prefeitura de Navegantes.

Foto: Ilustração

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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